Para o Brasil

“Sr. Jair Messias Bolsonaro:
Como cidadão defensor dos preceitos democráticos, reconheço o senhor como o cidadão escolhido para ser o presidente do meu País. E, como tal, espero que o senhor faça um governo que consiga minimamente avançar na resolução de alguns dos profundos problemas crônicos da nação. Afinal, ninguém em sã consciência quer o pior para si e para o seu povo. Para tanto, acredito que num primeiro gesto à nação, o sr. deveria seguir o exemplo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (aquele que um dia o sr. desejou a morte) e dizer a todos para esquecerem tudo o que o sr. falou. Até agora o sr. tem sido um obscuro deputado de pouquíssima produtividade, porém de muita bravata, conhecido apenas por seu discurso divisionista de ódio e violência contra os seus opositores ideológicos, os defensores dos direitos do ser humano, às minorias compostas por negros, indígenas, LGBTs e por uma ampla parcela de mulheres que não aceitam sua visão de que têm um papel inferior na sociedade. Agora o sr. é presidente de todos os brasileiros e precisa ter a exata noção da grandeza que este cargo representa. Até agora não sei minimamente quais sãos os seus planos para o país, uma vez que, como político experiente e esperto, refugiou-se no pântano das redes sociais para se vender como algo novo, impulsionado por uma enxurrada de fake news que convencem e cegam os inocentes úteis, logrando êxito num fenômeno mundial já visto nos EUA, no Brexit e em outros cantos. Até agora o sr. não expôs o seu projeto para o Brasil, pois recusou-se ao debate democrático, provavelmente temendo que sua fragilidade argumentativa expusesse o seu despreparo e seu verdadeiro caráter, o que colocaria tudo a perder. De qualquer forma, sr. Bolsonaro, agora que o sr. sai desta pseudo realidade do mundo virtual e volta seus olhos para a realidade crua do país que vai governar, é bom saber que a “minoria” que o sr. despreza, na verdade compõe a maioria da base social. Assim, como se o sr. teve 57 milhões de brasileiros cravando seu número nas urnas, outros 47 milhões disseram não e, ao se somarem aos demais 42 milhões de votos brancos nulos e abstenções, na prática, de uma forma ou de outra, não comungam com as suas idéias. Lembro ainda que, no campo político, apesar do avanço das forças conservadoras que o colocaram no poder, há uma força progressista, que não foi eliminada como o sr. desejaria, mas ao contrário está viva e disposta a uma forte oposição na defesa do estado democrático de direito e dos reais interesses do povo brasileiro. Uma oposição, diga-se de passagem, que não surgiu do oportunismo de um movimento político pontual, mas que tem um longo histórico de lutas contra o autoritarismo, contra o secular modelo perverso de política (que o sr. representa) que mantém o país no atraso e por mais justiça social. Como disse, sr. Bolsonaro, espero que o sr. me surpreenda com um bom governo. A mim e a todos os brasileiros. Estamos conscientes, firmes, vigilantes e atuantes. Ah, e somos a maioria…”

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